Saudades de Bairros Antigos

Saudades dos meus bairros de outrora
Autor: Mário Lopomo

Sim, saudade do meu Itaim, das ruas empoeiradas ou enlameadas. Do grupo Escolar Aristides de Castro. Da Casa Pais, Bazar São Benedito, do Bar Central, do Rink de Patinação, do ônibus a Gasogênio, do Córrego do Sapateiro. Do Circo Teatro do Mazzaropi, da Kopenhagem, dos Chalés do jogo do Bicho, do Marechal Floriano, Canto do Rio, do Esplanada.Dos pés de eucaliptos plantados no campo do Itororó, em 1954, vindos do Bixiga. Dos eucaliptos da Rua João Cachoeira.

Da minha Vila Olímpia. Da Rua Casa do Ator, da igreja do Divino Salvador, do Flamengo de muitas glórias.

Da Vila Nova Conceição, do Grupo Escolar Martin Francisco, da Igreja de São Dimas, da Praça Pereira Coutinho. Da Endoquimica (hoje FMU) com suas moças de roupas ou avental branco.

Esse recanto da zona sul da cidade de São Paulo, que era apenas um rincão da periferia daqueles gostosos anos 1940-50, onde a gente gostava de ver Miguel ferrador, na Rua da Ponte, esquina com a Rua Heloisa, fazer ferraduras com a forja de fogo fervente que o deixava com o rosto vermelho o dia inteiro. Ferradura de sete furos é lógico, que muita gente comprava para colocar atrás da porta de entrada da casa, para dar sorte.

Do seu Mimi e suas massagens gratuitas, principalmente aos jogadores de futebol, sempre com tornozelos torcidos. Do doutor Roberto Gouveia Paulini, grande e saudoso dentista, da Rua da Ponte (Clodomiro Amazonas), do grande artista Mario Alimari, da TV Excelsior.

Itaim, um bairro que parecia ser tão longe, e que hoje é tão perto do centro.
Lugar que se tornou nobre no inicio dos anos 1970, com o erguimento dos espigões no quadrilátero Pedroso Alvarenga, São Gabriel, Joaquim Floriano e Iguatemi, num verdadeiro canteiro de obras.

Que deixou a Rua Funchal, antiga passagem para os diversos campos de futebol, onde tinha a gráfica Nicolini, hoje passagem das drogas e dos drogados e alcoolizados, freqüentadores dos bares e dancing, que estacionam e urinam nas entradas de carros de quem ainda mora naquele local.

Na madrugada saem com seus carrões se espatifando nos postes, levando à morte inocentes ocupantes do banco do passageiro e outros do banco traseiro. O responsável sempre se salva, talvez para contar a história.

Muito diferente daquele, Itaim antigo.

Saudade também da Vila Olímpia dos portugueses desbravadores. Daquele bairro de quem simplesmente passava e jamais pensou em morar, mas sossegado e de gente bastante educada. Gente que se conhecia e, que se dava muito bem, com cadeiras nas calçadas e o rádio ligado. Os homens de ouvido futebol, as mulheres falando das novelas da rádio São Paulo, nas tardes de verão. Com as crianças brincando na rua, sem medo de serem atropeladas. No inverno se aqueciam nas fogueiras de Santo Antonio, São João e São Pedro.

Das ruas, sem um mínimo de iluminação, onde se andava de madrugada sem medo de ser assaltado. A saudade daquela garoa típica paulistana. Da cerração (neblina) das noites de junho. Por falar em junho, dos balões que caíam meio acesos ou apagados.

A Vila Olímpia era um bairro de imigrantes. Autênticos artesãos em diversas profissões. Sapateiros que faziam calçados por encomenda, Marceneiros, Pintores, e Carpinteiros.

Ou os nordestinos, que chegavam e eram acolhidos por outro nordestino esperto, dono de um bar, na esquina da Rua Alvorada com a Rua das Fiandeiras e alojados em barracos, até serem distribuídos às obras.

Esses bravos “Cabeças Chatas”, carinhosamente assim chamados por nós, empilhavam tijolos no reboco e iam erguendo aquelas casas de meia água ou sobrados, que mais tarde, deram lugar aos imponentes prédios que foram expulsando os desbravadores de um local que deveria ser somente deles, mas que, com o progresso, acabaram sendo de ninguém. Mesmo porque muita gente nem no Itaim ou Vila Olímpia mora, apenas trabalha ou se hospeda nos diversos Hotéis ou Flats luxuosos.

Daquele passado gostoso, ficou somente a saudade e também o nome de algumas ruas: Joaquim Floriano, João Cachoeira, Rua do Porto, Rua da Ponte, Pedroso Alvarenga, Tabapuã, Sertãozinho, Iaia, Silvia, Visconde da Luz, Viradouro, Rua Tenente Negrão. Rua da Matta. Rua Tapinas. Rua Carlos de Carvalho. Rua Paes de Araújo, Rua André Fernandes.

Mas muitas outras mudaram. Veja na lista a seguir, o nome original até os anos 1950 e os nomes atuais.

NOME ANTIGO NOME ATUAL
Rua Bibi ………………….Rua Renato Paes de Barros
Rua da Ponte………….. Rua Clodomiro Amazonas
Rua do Porto…………….. Rua Leopoldo de Magalhães Junior
Travessa do Porto ……….Rua Luiz Dias
Travessa da Ponte……… Rua Macurupé
Avenida Imperial………….Rua Horacio Lafer
Rua Jeribatiba…………….Manoel Guedes
Rua Pequena…………….Rua Professor Atílio Inocenti
Rua Amélia……………….Ruas Jesuíno Cardoso até a Clodomiro Amazonas, depois continua como Alceu de Campos Rodrigues até Avenida Santo Amaro.
Rua das Cobras……….. Rua Cojuba
Rua Araraquara………… Rua Coronel Joaquim Ferreira Lobo
Rua 17……………………… Rua Ramos Batista
Rua Heloisa……………… Rua Eduardo de Souza Aranha, posteriormente (1976) Avenida Juscelino Kubistchek
Rua Antonieta………….. Rua Miguel Calfat
Rua Firmino Ladeira…. Rua Santa Justina
Rua Norma……………….. Rua Fadlo Haidar
Rua Arnaldo……………… Rua Urussui
Rua Tapera……………….. Rua 1932, posteriormente Rua Bandeira Paulista
Rua do Meio……………… Rua Professor Tamandaré Toledo

Já da Vila Olímpia, tenho saudades da Rua Casa do Ator, onde havia uma casa que abrigava velhos artistas, que não sei por que cargas d’água saíram de lá e a casa se transformou em propriedade de políticos.

Da Rua Entre Rios………. Gomes de Carvalho.
Da Avenida Central…….. Dr. Cardoso de Mello
Da Rua Coronel Camisão…. Professor Vahia de Abreu
Da Rua Bugio…