Manhã de um sábado itahyense
(15/12/07: Praça Gióia Junior; Pq. do Povo; Rua João Cachoeira; Praça Coração de Maria).
autor: Biólogo Helcias Bernardo de Pádua/AGMIB

Com "Os Caminhantes", a presença de dois estagiários do Projeto - Trilhas Urbanas, de uma profissional da saúde-UBS Magaldi/Itaim Bibi, e alguns retardatários, percorremos alegremente a área do Parque do Povo do Itaim Bibi, devidamente registrados pelas câmeras (vídeo e fotográfica) do site www.sampaonline.com.br

Grupo Memórias do Itaim Bibi no Parque do Povo
*de camiseta branca: estagiários da -Trilhas Urbanas; com colete: peregrino João Manuel; camiseta e camisa clara: prof. Helcias; camisa azul: profissional da saúde/UBS Magaldi; c/capacete: representantes do Pq do Povo

Considera-se um marco, um feito histórico e com o devido registro nas memórias da região, por ser o primeiro ato da "comunidade" visitando o parque desde a sua reintegração feita em 2006 pela prefeitura da Cidade de São Paulo, e ainda sob o agitado processo de restauração desse enorme espaço, visando à implantação adequada de admirável paisagem ambiental, nesta que será com certeza a área preferida para o lazer, contemplação e educação ambiental, não só da região itahyense como para todos os paulistanos, mostrando o retorno a uma melhor cultura urbanística.

Gentilmente recepcionados pelos senhores Maurício Barbosa e Emílio Carvalho, respectivamente técnico de segurança e mestre de obras da empresa W. Torres, que executa as obras no parque, e conduzidos por entre sinuosas vias internas, ainda em construção, caminhamos, talvez pela primeira vez, pisando em algumas das placas ou lajotas produzidas pela usina de reciclagem, com o material oriundo de entulho de obras. A usina esta instalada no próprio canteiro de obras.

Os Caminhantes observam os vários exemplares arbóreos recentemente plantados, seguindo um primoroso plano paisagístico que vai desde as espécies ornamentais, as frutíferas, até outras tantas com marcantes características sensoriais. Que bom, além de contemplar singulares formas, de respirar o oxigênio puro, vamos poder identificar marcantes odores e reconhecer os vegetais através do tato as texturas dos troncos, das folhas e flores. Usaremos os sentidos, plenamente.
Como biólogo consigo identificar inúmeros e significativos exemplares vegetais cuidadosamente mantidos e catalogados. Como antigo morador, desde 1949 no bairro, relembro das inocentes brincadeiras de criança, correndo por entre as árvores e na juventude os disputados jogos de futebol dos vários times que ali existiram. Ao mesmo tempo sinto-me alegre e aliviado por mais esta conquista dos itahyenses, arduamente obtida junto aos órgãos públicos, sob necessário apoio das entidades locais, (Sociedade Amigos do Itaim Bibi; ConSeg), buscando o correto e verdadeiro uso de uma enorme área que é, com certeza, o último espaço livre no Itaim Bibi, atendendo os anseios da comunidade de ter para si uma segura e agradável densidade verde para as saudáveis práticas ambientais.

 Como não poderíamos deixar passar, aproveitando o memorável momento, plantamos no bem cuidado Jardim de Recepção ao canteiro de obras, uma enorme muda de gerivá/jurubá, a palmeira do coquinho amarelo, símbolo das histórias itahyenses, desde que toda essa região era chamada pelos índios de JURUBATUBA, a região de muitos gerivás. Outras mudas de espécies de árvores indicadas pela Subprefeitura de Pinheiros e sob orientação do Inst. Botânica/USP estão sendo plantadas e identificadas, pelas calçadas das vias públicas e nos espaços disponíveis, dentro do Projeto: O VERDE DO ITAIM BIBI.
Por mais de uma hora, permanecemos caminhando e recebendo informações sobre todo o processo de implantação do Parque do Povo do Itaim Bibi. No final, avistamos uma belíssima e moderna passarela que atravessa a movimentada avenida Cidade Jardim e que em breve servirá de segura transposição entre suas calçadas.

Após percorremos toda a área interna do Parque do Povo, engrossados por outros retardatários, porém sempre acompanhados por dois PM-Biks do 23 Batalhão do Itaim Bibi, iniciamos o percurso narrativo por entre as ruas do bairro. Ganhamos camisetas e outros brindes.

Já na rua João Cachoeira subimos ao 26º andar, no Tote Fitness, o belvedere do Meliá Hotel/Jd. Europa, quando pudemos avistar o nosso querido bairro e seus elegantes vizinhos dos Jardins. No lado do Itaim Bibi, quanta grandeza, quantos prédios e pouca densidade vegetal. Isso assustou.

Convidados pelo peregrino João Manuel, nos dirigimos ao DOCE MANIA e entre cafés, capuccinos e pedaços de bolo, tivemos a idéia de ir até a aconchegante e arborizada Praça Coração de Maria, ali na av. Cidade Jardim. Com certeza uma das poucas pracinhas da região, ou melhor, um dos alargados canteiros centrais. O interessante é que todas elas ou eles não se encontram propriamente dentro do bairro. Estão em uma posição limítrofe, entre bairros.

As outras praças ou pracinhas são:

" Praça Dom Gastão Liberal Pinto, antigo Largo da Maná, aonde existiu uma padaria de nome Maná, entre a São Gabriel/Joaquim Floriano/Brig. Luiz Antônio/Sto. Amaro; por sinal recentemente e inteligentemente revitalizada.
" Praça Luís Carlos Paraná, entre a rua Iguatemi/Brig. Faria Lima/Cidade Jardim, agora sendo melhor demarcada e arborizada; até que enfim.
" Praça Eid Mansur, no início da rua Amaurí e com dois (2) antigos e marcantes Fícus sp; devem ser preservados.
" Praça Mário Bolla, que na verdade é um alargamento da calçada esquerda da movimentada av. Cidade Jardim; muito bem cuidada por particular.
" Praça Gióia Junior, entre a av. Horácio Lafer/av. Henrique Chammas, por sinal simpática e bonita; sorte dos elegantes vizinhos.

Surpreendentemente e sem qualquer planejamento, ao avistarmos a praça em frente ao famoso e tradicional ex-Sacre Couer de Marie, iniciamos voluntariamente um mutirão de limpeza. O Mário Sérgio Fernandes se encarregava de tirar fotos com o seu celular.

Recolhíamos os resíduos urbanos sob olhares espantados dos ocupantes dos veículos que trafegavam na av. Cidade Jardim. Certamente comentavam a nossa espontânea atitude. Improvisamos um enorme embrulho de lixo com o feio pedaço de plástico negro encontrado ali mesmo. Depositamos os resíduos urbanos nas inúmeras lixeiras existentes. Incrível, era só ter o cuidado de depositá-los adequadamente, coisa que muitos dos passantes ou transeuntes não o fazem, emporcalhando esse e outros aprazíveis espaços itahyenses.

De repente veio-me a lembrança que quando adolescente, acompanhando a turminha do Itaim Bibi composta por filhos de famílias mais humildes, íamos jogar bola naquela pracinha, sempre no horário do final das aulas das meninas ricas. Com certeza, a esperança era ganhar um olhar das mesmas. Acho que deva ter ocorrido algum namorico e talvez até casamento.

Porém, neste sábado, enquanto, nós "Os Caminhantes" recolhíamos garrafas plásticas, pedaços de papelão, sacos vazios de salgadinhos e outros restos domésticos, éramos curiosamente observados por três moradores de rua ou da praça. A carroça ao lado e por sorte sem o cachorro, fiel companheiro dos mesmos.

Alguém tem uma outra idéia. Porque não desenvolver ações desse tipo por outras vias do bairro? Porque não adotar sem interesse, espontaneamente, um pedaço da nossa rua, uma calçada, parte de algum canteiro central das nossas avenidas ou mesmo das raras pracinhas itahyenses, como por exemplo, essa a do Coração de Maria e aquela a Dom Gastão Liberal Pinto? Que tal iniciarmos com a rua Urussuí, ex-rua Arnaldo? E olha que tem muito mais.
Sem perda de tempo, o peregrino de Santiago de Compostela, João Manuel, determina: "em breve nesta praça vamos implantar o projeto: ARTE NA PRAÇA, oferecendo oportunidade aos inúmeros artistas plásticos e artesãos residentes na região; eles terão que produzir, expor, mostrar e comercializar a sua arte durante um domingo, tudo aqui".

"Boa idéia", completa rapidamente a Dra. Leila M. Melhado, atuante moradora e colaboradora da AGMIB e no ConSeg Itaim Bibi, e que já vem desenvolvendo um oportuno trabalho visando à recuperação e inclusão dos mais necessitados, abordando carinhosamente os carroceiros e pessoas que vivem literalmente nas ruas itahyenses. Continue doutora. Dê mais que esmola. Dê futuro.

Conclusão: em janeiro de 2008 estaremos numa das praças ou em algumas ruas e locais do bairro, desenvolvendo MUTIRÕES DE LIMPEZA, dando continuidade no projeto: O VERDO DO ITAIM BIBI e implantando os novos projetos: ARTE NA PRAÇA & ARTE NA INCLUSÃO, determina o grupo de caminhantes itahyenses. Amigos e colaboradores: entrem em contado conosco. Colaborem, adotem tais idéias. Instituições civis e religiosas, empresas da região, nos procurem - Contato: memorias@itaim.com.br - www.memoriasdoitaim.com.br . O Itaim Bibi agradece.
e.t.:

" PROGRAMAÇÃO (completa) das ações AGMIB no site: www.memoriasdoitaim.com.br; no Boletim SAIB, ou no painel informativo da Biblioteca Municipal Anne Frank e UBS Magaldi(Posto de Saúde)
" Próxima caminhada - OS CAMINHANTES - dia 16 de fevereiro de 2008 - passeio narrativo, identificação e plantio de árvores nas ruas e locais da região, alongamentos, mini-palestras
" Encontro Mensal AGMIB - Bibl. Mun. Anne Frank - rua Cojuba 45 - I. Bibi, (sáb. -14:30hs): jan. (dia 05)
" Bate Papo entre amigos - Bot. do Hugo - rua Pedroso Alvarenga, 1014 (2ª f.dia 07, 19hs); vai quem quer!
" Em fevereiro/08: - iniciaremos as reuniões da comissão do 74º Aniversário do Itaim Bibi - Participem...

obs.: Neste mês de dezembro de 2007, na 2ª Conferência Municipal do Meio Ambiente/PMSP, no auditório da FECOMERCIO,  o biólogo Helcias B. de Pádua-C.F.Bio 00683-01/D, foi eleito, um dos  quatro (4) "delegados", que irão representar a região Centro-Oeste,  na 2º Conferência Estadual do Meio Ambiente/08.