O mestre perdeu o cargo para o discípulo
autor: Helcias Bernardo de Pádua

As histórias e memórias do Itaim Bibi se entrelaçam com as do nosso país. Se não vejamos...

O mineiro de Diamantina, quando estudante na Faculdade de Direito/SP, lecionou no Colégio São Bento.Entre seus alunos, um que anos depois o substituiu no cargo de Presidente da Província de São Paulo, quando a implantação da República.

O mestre, José Vieira Couto Magalhães, foi uma pessoa de extrema atividade intelectual. Fervoroso estudante e pesquisador de línguas estrangeiras e indígenas, ocupando assim boa parte da sua atividade. Estudou com afinco astronomia, física e mecânica, tendo posteriormente transferido seus instrumentos para experiências científicas, os quais foram doados ao Instituto Politécnico de São Paulo. Fundou o Clube de Caça e Pesca de São Paulo e organizou a Sociedade Paulista de Imigração. Colaborou com muitos jornais, com ênfase no Jornal do Comércio e o Diário Popular. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Deixou inédita uma gramática da língua geral.

Iniciador da navegação a vapor no Planalto Central. Foi conselheiro do Estado e deputado por Goiás e Mato Grosso. Foi presidente das províncias de Goiás, de 8 de janeiro de 1863 a 5 de abril de 1864, Pará, de 29 de julho de 1864 a 8 de maio de 1866, Mato Grosso, de 2 de fevereiro de 1867 a 13 de abril de 1868, e São Paulo. Fundou em 1885 o primeiro observatório astronômico do estado de São Paulo, na sua chácara em Ponte Grande, às margens do rio Tietê, em São Paulo/SP.

Túmulo de José Vieira Couto de Magalhães (foto 01)

O general-brigadeiro foi enterrado no Cemitério da Consolação, sob escultura de Nicolina Vaz de Assis Pinto do Couto (Campinas SP 1874 - Rio de Janeiro RJ 1941). Escultora de bustos de presidentes para o Museu da República, de políticos e personagens ilustres, além de esculturas funerárias, como, por exemplo, O Selvagem, de 1898, para o túmulo de José Vieira Couto de Magalhães, obra considerada como primeiro exemplar de escultura art nouveau da cidade.

Homem de visão empreendedora, após a Guerra do Paraguai obteve do governo imperial concessão para uma organizar uma empresa de navegação para o rio Araguaia. Em uma arrojada iniciativa desmontou um vapor do rio Paraguai, e abrindo estradas, fazendo pontes, transportando em 14 carros de bois, chega às margens as margens do Rio Araguaia, escrevendo em uma grande pedra as palavras, em tupi : "Sob os auspícios do Sr. D.Pedro II passou um vapor da bacia do Prata e do Amazonas e veio chamar à civilização e ao comércio os sertões do Araguaia ,com mais de 20 tribos. Depois adquiriu mais dois vapores, o Colombo e o Mineiro. "Louco e visionário" assim era tratado pela imprensa da época, que lhe vazia as mais virulentas críticas.

Quando foi proclamada a República, ocupava o cargo de Presidente da Província de São Paulo. Nessa época a saúde mental estava abalada, viaja para a Europa em busca de tratamento. Em 1893 já havia retornado ao Brasil. Por ter doado parte de sua fortuna para a fundação de um hospital de sangue para os revoltosos da Armada e do Rio Grande do Sul foi então preso. Como seu estado de saúde não era bom, o Floriano Peixoto permitiu que Couto Magalhães retornasse a Europa. Volta mais uma vez ao Brasil, vindo a falecer em 14 de setembro de 1898.

Foi o último presidente da Província de São Paulo de 10 de junho até 16 de novembro de 1889, no período do Segundo Império. Proclamada a república, se nega ao desocupar o cargo, sendo preso e enviado ao Rio de Janeiro, porém liberado em reconhecimento da sua enorme cultura e ações em pró do desbravamento dos sertões brasileiros.

General-Brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães

Foto 02 - General-Brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães
Patrono do Itaim Bibi/SP

Substituiu o seu ex-aluno, Prudente José de Morais, este compondo o triunvirato de um governo provisório, junto com Barros Francisco Rangel Pestana e Joaquim de Sousa Mursa, no curto período de 16 de novembro a 14 de dezembro de 1889, ocasião que Prudente de Moraes foi nomeado para o governado de São Paulo, permanecendo até 18 de outubro de 1890.

Prudente José de Morais e BarrosPrudente José de Morais e Barros (foto `à direita), nasceu nos arredores de Itú/SP, em 4 de outubro de 1841, falecendo em Piracicaba, no dia 13 de dezembro de 1902. Foi um marcante político brasileiro, sendo o primeiro civil a exercer o cargo de presidente do Brasil, ou melhor, o terceiro presidente da nação, após a proclamação da república. Representou a oligarquia civil da cafeicultura, sucedendo o poderio da mesma no poder Legislativo.

No Império, pertenceu primeiro ao Partido Liberal, monarquista. Foi Eleito vereador em 1865, presidindo a Câmara Municipal. Em 1870, transferiu-se para o Partido Republicano Paulista (PRP), declarando-se republicano, tendência que representou na Assembléia Provincial.Foi deputado provincial em São Paulo e deputado à Assembléia Geral do Império, defendendo, além da forma republicana de governo, o abolicionismo e o federalismo. Como deputado provincial trabalhou na complexa questão das divisas de São Paulo com Minas Gerais, tema no qual era especialista.Como deputado provincial tratou da questão dos limites entre São Paulo e Minas Gerais, questão sobre a qual era foi Nomeado por Deodoro da Fonseca, o chefe da junta que governou São Paulo de 1889 a 1890 ,quando renunciou para assumir uma cadeira no senador.
No governo de São Paulo, reorganizou e modernizou a administração, especialmente o tesouro e o Arquivo do Tesouro, ampliou Força Pública, sendo que a transição para a república em São Paulo, com a nomeação de novos administradores, secretários e intendentes municipais ocorreu em tranqüilidade. Reorganizou a Escola Normal, que deu origem ao Colégio Caetano de Campos. Prudente de Morais (foto 03)

Chegou a ser vice-presidente do Senado, e presidiu a Assembléia Constituinte de 1890-1891. Elaborada a Constituição, disputou com Deodoro da Fonseca a presidência da república, sendo derrotado.

Após a derrota para Deodoro, eleito indiretamente com 129 votos contra 97, Prudente de Morais presidiu o Senado até o fim do mandato. Na disputa pela sucessão de Floriano Peixoto, que chegara à presidência devido ao golpe de 23 de novembro de 1891, candidatou-se pelo Partido Republicano Federal (PRF), fundado pelo paulista Francisco Glicério em 1893.
Vence as eleições presidenciais de 1894 e toma posse no dia 15 de novembro daquele ano, tornando-se o primeiro presidente a ser eleito diretamente e o primeiro presidente civil. A sua eleição marcou a chegada ao poder da oligarquia cafeeira paulista em substituição aos setores militares. Os quatro anos de governo de Prudente de Morais foram agitados, tanto por problemas políticos-partidários.

Esse é um relato aonde o discípulo cresce, evolui, chegando a substituir o mestre.

No caso, o nosso general-brigadeiro, José Vieira Couto de Magalhães, ainda jovem estudante na Academia de Direito do Largo São Francisco, lecionava filosofia no Mosteiro de São Bento, teve como aluno, o Dr. Prudente José de Morais e Barros.

-referências
ttp://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_obras&cd_verbete=2892&cd_idioma=28555
www.memoriasdoitaim.com.br
www.vivasp.com
www.wikipedia.com.br