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Do Itaim Bibi até a Lapa
itai bibi embiaçaba lapa* (aonde rolam as pedras pequenas,... na passagem para a
gruta)
Helcias Bernardo de Pádua
Março, 2008
Juro, não sou um estudioso da língua tupi, nem
tão pouco tenho essa pretensão, mas gosto de pesquisar, conhecer o significado
das palavras, tentando formar novas sentenças, garimpando os termos
tupi-guaranis.
Uma dessas é: itai bibi embiaçaba lapa* (aonde rolam as pedras pequenas..., na
passagem para gruta).
Perdão senhores estudiosos. Vejamos o porque dessa minha ousadia.
Em 1562, um levante armado que culminou em ataque ao Colégio de Piratininga,
resultado da união dos donos da terra ou da Confederação os Tamoios (tamoios =
donos da terra, do tipo tamuya que quer dizer o velho, o mais antigo, contando
com os caciques Piquerobi e Araray, irmãos de Tibiriçá, junto com as nações
indígenas tupinambás, guaianazes, aimorés e temiminós, mais alguns portugueses e
franceses, obrigou os padres da Companhia de Jesus, ajudados por Caiubi e
Tibiriçá, á organizaram em pontos estratégicos espalhados em todo o do Planalto
de Piratininga, os dispersos índios que até então viviam como nômades,
formando-se núcleos, chamados de reduções.··Eram como postos avançados e outros
ainda servindo de intermediários entre os maiores núcleos de: Carapicuiba (água
rasa), M’boy (Embú), Itapecerica, Ururay (Barueri), Parnaiba, etc. A região da
pedra pequena ou pedregulho, ou Itai, com certeza recebeu um desses postos
intermediários entre os sítios de Sto Amaro e de Pinheiros. Estes postos, na
época tinham como função, servir de entreposto de abastecimento e descanso, além
de vigiar e proteger a aldeia ou sítio central de ataques de índios não
catequizados, ou dos portugueses caçadores de índios e invasores de terras
entres outros aventureiros e bandoleiros.
Além disso, as terras do sudoeste de São Paulo tinham a fama de terem solos
difíceis, pobres, para o cultivo, com montanhas cuja altitude ia de 700 a 1000
metros acima do nível do mar, sem longos trechos de rio navegável. Toda a região
após as margens a sudoeste desses rios fora de certa forma esquecida, sendo
denominada de sertões. Com isso as populações do outro lado da margem dos rios
Tietê e Pinheiros viviam muito isoladas. Já a região centroeste era rica em rios
e riachos sem correntezas e quedas, portanto com mais facilidade de navegação e
permanência marginal.
Por outro lado, era muito difícil se chegar a alguns outros lugarejos, mesmo os
mais próximos ao pateo do colégio. A Aldeia dos Pinheiros era uma delas, visto
ser uma área sempre sujeita às inundações, com terras entremeadas pelas curvas
de córregos e de seus dois rios principais. Só em 1687 é que constrói uma ponte
sobre o caudaloso rio dos Pinheiros.
Imaginem só, - quem te viu e quem te vê -, entre a margem do lado direita do rio
Pinheiros e a esquerda do rio Tietê, formavam-se grandes extensões várzeanas, os
baixios, - as terras de Pinheiros e parte da Lapa (Embuaçu). Ultrapassando os
rios, nas terras à outra margem, iniciavam-se os temidos sertões de Itapecerica,
de Ribeira de Iguape, de Embu, de Sorocaba, de Itu, etc., usados como refugio
pelos negros fugitivos, formando precários quilombos e pelos fora da lei.
Firmam-se as aldeias de Pinheiros (1560), Lapa (1561) e Itapecerica (1562), com
intuito de dar maior movimentação e segurança aos parcos e isolados moradores e
viajantes, esses últimos, os passantes.
Na região próxima à Lapa, o rio dos Pinheiros recebia o nome indígena de
Embiaçaba. Isso mesmo com todas as variações possíveis como: Ambuaçava,
Umbiaçava, Mboaçava, Emboaçava ou Boaçava, topônimo de origem tupi, designando
durante três séculos a região lapeana. Lapa significa gruta ou caverna, o lugar
mais fácil de se morar, de se ter segurança, - abrigo. Mas o primeiro nome do
bairro da Lapa foi Emboaçava, que em tupi significa lugar por onde se passa.
Nos tempos iniciais e coloniais, a porção mais a montante e mediana do Rio dos
Pinheiros foi chamada de Jurubatuba, que em tupi significa, lugar com muitas
palmeiras jerivás, ou também pardo e sujo. Passou a ser rio dos Pinheiros pelos
jesuítas, em 1560, quando eles criaram o aldeamento indígena de nome Pinheiros,
por causa da grande quantidade de araucárias (ou pinheiros-do-paraná) que
cobriam a região.
A paragem da Emboaçava -século XVI, se limitava com os campos de Piratininga
(altura do Pacaembu), Aldeia de Pinheiros, Jaraguá (que compreendia Pirituba e
Freguesia do Ó) e campos de Carapicuíba na altura do município de Osasco. Na
margem direita do rio dos Pinheiros, havia o Forte Emboaçava, para proteger a
vila de São Paulo de Piratininga dos ataques indígenas, que à época eram
constantes.
O principal caminho que dava acesso à aldeia era o Caminho de Pinheiros, que
hoje é a Rua da Consolação. Aos poucos, com a construção de pontes que permitiam
a sua travessia, as margens do rio foram sendo ocupadas.
Agora, em pleno século XXI, a região itahyense continua sendo considerada e
muito utilizada como ligação, embora rica e mesmo com seus grandes atrativos
empresariais, de trabalhos, gastronômicos e culturais. Um entremeio cortado por
avenidas em cima de córregos canalizados. Tudo para até que se ultrapasse os
rios. A região de passagem..., de curta permanência, um caminho aos outros
locais.
Itai bibi embiaçaba lapa* (aonde rolam as pedras pequenas (pedregulhos)..., na
passagem para gruta). Passam as pessoas, os pedestres, os transeuntes, os
carros, os caminhões, os aviões e os helicópteros. Sempre retornando, num
vai-vem constante. *licença poética do autor
Helcias Pádua - Biól. C.F.Bio 00683-01/D
- Tupã amogaraiba, yawé ara catú omebê peeme -
11-9568.0621
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