Casa Bandeirista, tombada e derrubada
Autor: Helcias Bernardo de Pádua - 2006


Li no jornal desse domingo último uma reportagem que em São Paulo, dezenas de sítios arqueológicos, relíquias, estão esquecidos, são destruídos por construções ou ficam desprotegidos. Só na região metropolitana são 64 áreas.

O Itaim Bibi esta incluído nessa listagem, tristemente representado pelo Sítio Itaim Bibi, a Casa Bandeirista.

Ela fica num enorme terreno - já foi muito maior - no final da Rua Joaquim Floriano, início da Rua Iguatemi. Segundo especulações imobilárias, é um dos 10 terrenos com o metro quadrado mais caro da cidade.

Tal terreno, (Itaim Bibi), na época muito maior, abrigava um casarão de taipa -acredita-se construído pelos bandeirantes-, tombado pela Prefeitura, quando do último governo do Jânio Quadros.

Anteriormente e na continuidade, aos pouco, os proprietários(?) foram derrubando o casarão, (construído no séc. XVIII), desfigurando-o. Acreditem, árvores centenárias, representantes da Mata Atlântica, inúmeras frutíferas, foram desaparecendo.

Esse local abrigou a Casa Sede da família Couto de Magalhães, fundadores do bairro do Itaim Bibi, e o famoso Sanatório Bela Vista. Hoje tem-se 3 estacionamentos.

Mas o mais importante é que nesse terreno fora instalado um posto de observação e defesa contra os supostos invasores (inimigos) dos jesuitas (séc. XVI), que poderião vir pelo Rio Jurubatuba (Pinheiros), com uma das suas enormes curvas próxima ou pelo chamado Caminho dos Aliados, agora R. Leopoldo Couto de Magalhães Jr, (ex. Rua do Porto). Época do padre Anchieta.

Por todo área - na época bem maior - existiu um aldeiamento indigena guainases do grupo de cacique Caiubi.
Quando da construção da nova Av. Faria Lima foram encontrados peças, restos que comprovaram tais fatos e recolhidos por arqueólogos. Esse local esta entre a Rua Viradouro e Av Horácio Lafer, mais próximo da Av. Faria Lima , atual.

Também existiria um cemitério usado para enterrar os negros e infiéis, da época. Tenho depoimento de uma antiga moradora do bairro que diz ter visto restos de um cemitério ainda quando do uso da casa pelo Sanatório Bela Vista. O cemitério estaria supostamente na lateral do terreno da Casa Bandeirista, hoje para o lado da Av. Horácio Lafer (ex. Av. Imperial).

Eu fui coroinha em missas na capela (muito bonita) nas décadas de 50-60, na construção. Lembro-me que entre a turma da igreja, existia uma enorme disputa para ser o escolhido pelo frei Constâncio, então o vigário da Paróquia de Sta. Teresa de Jesus, pois depois da ajudar na celebração da missa, (em datas especiais), tinhamos o direito de ir colher e comer as jaboticabas e outras frutas do belo pomar.

Hoje, no lugar do pomar, alguns pés de jaboticabeira, resistentes e frutificando, parcas palmeiras,e o que sobrou de árvores representantes da Mata Atlãntica, além de plantas exóticas e tocos de pilares e restos espalhados das antigas paredes. Tudo isso cercado pelos carros estacionados.

Três entradas extratégicamente colocadas, (uma na Rua Iguatemi, outra na Av. Horácio Lafer e uma terceira na Av. Faria Lima), garantem a freguesia. Atenção: aos sábados, domingos e feriados fecha-se para descanso dos manobristas. Os escritórios dos prédios vizinhos não funcionam e o movimento da avenida e ruas decai muito.

Taí a razão do atual bairro chamado antigamente de Itaí, o nosso Itaim do Bibi.

Vamos pesquisar tudo isso? Vamos preservar, recuperar o pouco que resta.

O interesse é cultural e de respeito as memórias e histórias de SP.

Só preserva quem conhece!