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Carta enviada ao Jornal Valor Econômico
03/03/08
Senhores jornalistas
VALOR ECONÔMICO/CARTAS - LEITORES
Yan Boechat & Vanessa Adachi
Como presidente da AGMIB-Assoc. Grupo Memórias do Itaim Bibi, e em nome dos
moradores e de pessoas envolvidas e preocupadas com a resgate e preservação das
memórias e histórias da região, agradeço o interesse e divulgação da situação de
abandono e desrespeito que a CASA BANDEIRISTA do Itaim Bibi, - em terreno
tombado pelo patrimônio histórico e geográfico -, vem sofrendo, desde 1978.
Estamos falando da matéria: Valor Econômico - 28/02/08, pg B1 - título: Meio
Bilhão por ex-terreno da Naji Nahas.
Na verdade, são trinta anos (30), , - desde 1978 -, e não 25 anos , segundo
informado anteriormente por um leitor e publicado em Cartas/Valor-de 03/02/08.
Também não é apenas um (1) TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), que os
proprietários assinaram perante o Tribunal de Justiça/SP, o Ministério
Público/SP e órgãos estaduais referentes. O processo para tombamento foi
iniciado em 1981 e finalizado em 1982. pelo CONDEPHAAT.
Neste intervalo de tempo, sob as intimações apontadas pelos órgãos de defesa do
patrimônio (CONDEPHAAT, COMPRESP, SVMA-PMSP)e dos processos judiciais (MP, TJ),
os proprietários, ou as inúmeras empresas que se formaram e envolvidas ao longo
desses anos, (Grupo Seleta, Soc. Vendome Empr. e Participações Ltda, Comercial
Bela Vista, etc), teimaram em continuar desrespeitando as determinações dos TCA
e de um (1) TAC, firmados perante ao Ministério Público ESP e outros órgãos
públicos. O último Termo de Compromisso Ambiental, assinado junto a SVMA - proc.
n.2004-0.267.389-8/TCA n.010/2007, foi em 27 de janeiro de 2007. Todo o processo
contem quase 20 volumes, sendo reaberto em 1994, até agora com 6 volumes, sob o
processo nº128/94 - MPESP "Comercial Bele Vista/Casa Bandeirista".
Neste último dia 08 de janeiro de 2008, junto ao MPESP, os proprietários do
terreno em questão e seus representantes, (Com. Bela Vista SA), e com os
diretores e representantes da SVMA/PMSP, do DPH, e do CONDEPHAAT, (ausente: Sec
de Hab., assinaram em ATA, mais um termo, - Termo de Comparecimento e
Deliberação-PT.128/94-5ª.PJMAC-, à ser obedecido num prazo mínimo um (1) ano,
visando a recomposição da CASA BANDEIRISTA do Itaim Bibi.
Também ficaram de apresentar num prazo de trinta (30) dias o cronograma de obras
para a recomposição da CASA BANDEIRISTA, - que seg, informes da Promotoria
Pública já ocorreu. Ficou salientado que as obras dos prédios comerciais, (vide
croquis anexo), não terão prazo fixado para início, sob dependência exclusiva do
término e entrega ao uso devido do espaço reservado à CASA BANDEIRISTA.
Também não são 17 mil metros quadrados e sim ao todo originalmente mais de 19
mil metros quadrados. Atualmente estão ocupados por três (3) estacionamentos,
esparramados em mais de 13 mil metros quadrados.
Na verdade, desse montante, pouco mais de 700 m2 deverão ser ocupados pela área
circunscrita e reservados para a recomposição da CASA BANDEIRISTA e seu
paisagismo de entorno, (ver croquis e foto - anexos), que deverão se
respeitados. Assim esperamos.
Nós da AGMIB e moradores do bairro do Itaim Bibi, insistimos na obediência plena
do que foi determinado, por todos esse termos, sendo o espaço em questão
destinado exclusivamente para uso como "Centro de Resgate e Preservação das
Histórias do Itaim Bibi", sob administração municipal/Sec.Cult.PMSP, reservado
às entidades representativas, e não como área particular, o que vem sendo
pleiteado paralelelamente, tendo-se como primas exemplo a Casa das Rosas, esta
administrada pelo governo estadual (Sec. da Cultural-SP), porém mantida pela
empresa proprietária da área. Salientamos ser injusto e muito pouco o montante
da área reservado à CASA BANDEIRISTA, comparada pelo que foi ofertado às
construções comerciais. (vide croquis e fotos em anexo).
Esse local abrigava típica construção do século XVIII, com grossas paredes em
taipa de pilão, protegida por centenas de espécies vegetais, dignas
representantes da Mata Atlântica e outras exóticas. Chama-se Bandeirista pois
foi sendo construída ou ampliada desde a época dos bandeirantes, estes que ali
paravam para descanso e reabastecimento, vindos pelo rio, - agora o retificado
Pinheiros - , ou por terra.
Anteriormente, desde 1560, serviu de "posto de defesa" e "observação", na margem
direita do então rio Jurubatuba, hoje rio Pinheiros. O aldeiamento foi instalado
pelos jesuítas quando da formação do Sítio dos Pinheiros, com a presença de
índios da tribo do cacique Cayubi. Comenta-se que ao fundo desse terreno existia
desde aquela época, um cemitério para os despojos dos índios, escravos e
infiéis.
Como percebem, a importância arqueológica e histórica dessa área, não deve ser
vista apenas quanto ao aspecto das memórias itahyenses, por ter sido a sede da
"Casa Grande dos Couto de Magalhães", - final do século XIX e início do século
XX -, família formadora da Chácara do Itai (em tupi: ita = pedra; i = pequena),
desde 1896, e que pelos anos seguintes constitui o que chamamos de Itaim Bibi.
e.t. BIBI em tupi significa vai-vem, repetição.
O patriarca dessa família, foi o general-brigadeiro José Vieira Couto de
Magalhães, foi o último presidente da Província de São Paulo, no segundo
império, portanto antes da proclamação da república. Na república, quem o
sucedeu foi Prudente José de Morais, este compondo o triunvirato de um governo
provisório, junto com Barros Francisco Rangel Pestana e Joaquim de Sousa Mursa.
Salientamos que a área constituída pela CASA BANDEIRISTA já foi alvo de estudo e
catalogação por pesquisadores da USP/Arqueologia, na década dos anos 90, sendo
os equipamentos encontrados ainda mantidos, resguardados, ou deverião ser, pois
com certeza irão compor os trabalhos de reconstrução do edifício objeto, como
foi feito quando da recomposição, à semelhança, da Casa do Pateo do Colégio.
No aguardo de publicação (Valor Econômico -cartas dos leitores), visando
esclarecimentos históricos.
Esclarecemos e informamos que a Seção Memórias-Bibl. Pública Anne Frank, rua
Cojuba, 45 - Itaim Bibi/SP, junto com a AGMIB mantém grande parte dos documentos
aqui listados, além de inúmeras reportagens, fotos e demais documentos de
interesse. Outros documentos sofreram vistas, sob conhecimento e aprovação do
próprio MPESP, pelo sr.Helcias B. de Pádua e Comissão/AGMIB.
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croquis e foto com a posição
da Casa Bandeirista do Itaim Bibi/SP, envolvida pelos
prédios comerciais, terreno alvo da matéria, -Valor Econômico |
Atenciosamente.
prof Helcias Bernardo de Pádua
Presidente: AGMIB (2007-2010)
*morador na região desde 1947-48
biólogo C.F.Bio 00683-01/D
memorista e graduando em Jornalismo
Rua Luís Dias, 48 - Itaim Bibi/SP
tel. 11-9568.0621
rg . 3.411.493
memorias@itaim.com.br
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www.vivasp.com (itaim - helcias)
03/03/08 spsp
Helcias Pádua - Biól. C.F.Bio 00683-01/D
- Tupã amogaraiba, yawé ara catú omebê peeme -
11-9568.0621
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