O nosso cacique CAIUBI
Um bocadinho mais da história itahyense.
Autor: Helcias Bernardo de Pádua
Março, 2008

Muito tenho dito e escrito sobre o nosso Itaim do Bibi, mas essas terras varzeanas guardam em seus fluídos a ação de grandes personagens da história, porque não da nossa Terra Brasilis.

Um deles é o chefe Caiubi, irmão de Tibiriçá e Piquerobi.

Conta-se que "distribuídos por todo o território do futuro Campos de Piratininga, os indígenas tinham como referência das mais importantes, os agrupamentos: Inhapuambuçu, liderado por Tibiriçá; Ururaí, sob a chefia de Piquerobi; e Jeribatiba, do chefe Caiubi".

Tibiriçá, significando, “vigilante da terra”, é o mais conhecido dos três.
Converteu-se ao catolicismo, sendo batizado pelos padres Leonardo Nunes e José de Anchieta. Recebeu como nome cristão o de Martim Afonso, dado em homenagem ao fundador de S. Vicente. Viveu muitos anos e seus restos mortais encontram-se na Cripta da Catedral da Sé/SP-SP. Teve muitos filhos e com a índia Potira teve Ará, Pirijá, Aratá, Toruí e Bartira. Esta última se casou com João Ramalho. O cacique se destacou na fundação e defesa de São Paulo. Conta-se que levantando à bandeira e uma espada de pau pintada e enfeitada de diversas cores, repeliu com bravura o ataque à vila de São Paulo. Tornou-se o senhor todo poderoso de vasta área nas proximidades da atual avenida Tiradentes.

Já Piquerobi, (peixnho verde, em tupi), morava na serra Ururai, mais ao norte da futura cidade de São Paulo. Consta que antes morou na Vila de São Vicente/SP. Rebelou-se contra os portugueses, chefiando junto com os guaianases, carijós e tamoios os ataques a São Paulo.

Outro que se destacou como inimigo nessa batalha foi o filho de Piquerobi, o nervoso Jagoanharo, "Cão Bravo", morto quando tentava forçar a porta da igreja do pátio do Colégio, no momento cheia de mulheres refugiadas. O interessante é que foi uma filha do mesmo Piquerobi, com nome cristão de Antonia Rodrigues, pôr ter se casado com Antonio Rodrigues, um dos primeiros povoadores de S.Vicente, que liderou as mulheres índias, na defesa à igreja, vencendo os atacantes e parentes.

O terceiro dos irmãos, o Caiubi fora batizado com o nome de João, auxiliando Tibiriçá na tarefa de criar a futura São Paulo. O cacique, um dos primeiros itahyense, - por assim dizer -, fora batizado com o nome de João, auxiliando Tibiriçá na tarefa de criar a futura São Paulo, além de exercer domínio sobre as tribos das terras da Serra do Paranapiacaba e o litoral. Abandonou suas terras, (1554), para morar ao lado dos jesuítas em Tabataguera (Tabatinguera), reinando às margens do Jeribatiba, (Jurubatuba).

Foi ele que cedeu alguns dos seus guerreiros para formar vários aldeamentos em toda a extensão desse rio afluente do Tietê, incluindo-se o aldeamento Itaí na margem direita do Jurubatuba (Pinheiros), quando da formação do Sítio dos Pinheiros, em 1560. Essa aldeia indígena estava localizada justamente aonde o que hoje denominamos de “as terras da Casa Bandeirista”.

Esses índios foram estrategicamente colocados em uma elevação de onde não só avistava-se o curso do rio Jurubatuba, mas dos seus afluentes próximos, tendo apenas um dificultoso caminho ou trilha de terra que transpunha vários córregos. O rio é agora o canal dos Pinheiros e tinha uma das suas grandes curvas no que hoje estão as proximidades das ruas Salvador Cardoso e final da Tabapuã.

Esse caminho, por terra, ia desde Santo Amaro até o Sítio dos Pinheiros Era a trilha dos aventureiros, dos viajantes, depois dos tropeiros e no decorrer dos séculos, chamado também de Caminho ou Estrada das Boiadas. Para que se tenha uma idéia da importância desse trajeto, só aqui nas terras itahyenses percorria aonde temos hoje a rua Clodomiro Amazonas, (ex-rua da Ponte), ligando-se continuadamente ao atual traçado da rua Iguatemi e av. Brig. Faria Lima. Não havia a chamada rua Tabapuã.

Existiu uma outra pequena trilha transversal que partia do final do Caminho do Caagaçú, (av. Brig. Luiz Antônio-av. Sto Amaro - ainda vou contar essa história - ), passando pelo aldeamento, usada apenas pelos mais conhecidos e amigos. Vinha das terras do Ibirapuera, (não confundir com o Caminho do Ibirapuera), sempre ladeando a margem direita de um córrego, depois chamado de Córrego do Sapateiro, curvando-se logo abaixo do aldeamento. Esse caminho, nos tempos do Couto de Magalhães passou a se chamar de Caminho dos Aliados, rua do Porto e agora leva o nome de rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., homenageando o nosso Bibi.


Helcias Pádua - Biól. C.F.Bio 00683-01/D
- Tupã amogaraiba, yawé ara catú omebê peeme -
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