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As palavras voam, os escritos permanecem
- VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT -
Helcias Bernardo de Pádua
Ontem, 2ª feira, dia 16/4/07, alguns colaboradores do GMIB-Grupo Memórias do
Itaim Bibi se encontraram no Botequim do Hugo, na rua Pedroso Alvarenga, n.
1014, teimosamente lembrada pela Da. ZIZI como a antiga rua Dr. Leopoldo.
Isso mesmo, esse é o nome originalmente dado para aquela via pública, (da
avenida São Gabriel até rua Iguatemi), em homenagem ao Dr. Leopoldo Couto de
Magalhães, o médico e irmão do general-brigadeiro José Vieira Couto de
Magalhães, este considerado como o adquirente da Chácara Itaí, em 1896.
Foi o Dr. Leopoldo que num esforço e respeito readquiriu as terras da família
leiloadas em haste pública (1907), por 30 contos e dez mil réis, após a morte do
filho mameluco do general, o herdeiro José Couto de Magalhães. Não confundir com
o Leopoldo Couto de Magalhães Junior, (1871-1961), o nosso BIBI e filho do
médico Leopoldo.
Voltemos ao botequim... - No acanhado e aconchegante espaço, passamos horas das
mais agradáveis sendo notavelmente recepcionados pelos irmãos Hugo Jr e Emiliana,
sem contar com a respeitada e memorável figura da Zizi, a Da. Francisca Cabral,
católica e muito querida pelo frei Paulo Goullart da Paróquia de Sta Teresa.
Saboreamos os deliciosos e já famosos pastéis, tamanho família, feitos com amor
e carinho por essa ITAHYENSE que bravamente criou seus dois filhos desde o
prematuro falecimento do seu marido, o Sr. Hugo Cabral.
É, ... as mulheres itahyenses são fortes. Todas elas.
Merecem as homenagens que o GMIB ira prestar às MÃES ITAHYENSES na próxima
reunião do grupo, dia 05 de maio de 2007.
Esparramados por uma extensa mesa, entre 18:30h. e 22:00h., lá estávamos, desde
os mais eloqüentes e ferrenhos moradores e ex-moradores do bairro, entre outros
hábeis memoristas e justíssimos narradores ou simplesmente aqueles que
descreveram os fatos vivenciados ou não. Os mais jovens meio basbaquiados e
incomodados por não ter o que falar ouviam a tudo.
Rememoravam-se fatos, descreveram-se situações vividas ou não, corrigiram-se ou
pelo menos se tentou conferir os casos e até os causos ocorridos por esses anos
passados e afins.
* Presume-se saberem os vizinhos os fatos dos vizinhos, ou VICINI VICINORUM
FACTA PRAESUMMUNTUR SCIAE.
O importante é que tudo se deu parceiramente englobando o grandioso espaço da
Chácara do Itaí, (ITAÍ - Ita = pedra; Í = pequena) dos Couto de Magalhães, uma
enorme área várzeana oficialmente adquirida ou incorporada pelo nosso general,
no final do século XIX.
No logotipo do GMIB-Grupo Memórias do Itaim Bibi vê-se a imagem desse mineiro de
Diamantina, (1837), advogado pela Faculdade de Direito de São Paulo, exímio
político, poliglota, astrônomo, físico, químico, farmacêutico e herói na Guerra
do Paraguai, sem deixar de ser desbravador e presidente nas províncias de Mato
Grosso, Goiás e Pará.
Ele foi o último presidente da província de São Paulo, durante o segundo império
com D. Pedro II. Só deixou o cargo sob ameaça e após ser preso quando da
Proclamação da República, (1889). Sua morte ocorreu em 15 de abril de 1898 no
Rio de Janeiro, sendo enterrado no Cemitério da Consolação/SP.
Na ocasião a chácara já se esparramava desde o córrego Verde, atualmente
canalizado sob as avenidas 9 de Julho/Cidade Jardim e proximidades do Shopping
Center Iguatemi, atingindo até pouco após o córrego Uberabinha, hoje também
canalizado e próximo da atual rua das Fiandeiras. Inicia ao sul da baixada do
morro do Caagaçú, terminando na antes margem direita do rio dos Pinheiros. O rio
Pinheiros sofreu alteração na direção do seu curso para a formação da instalação
da Represa da Billings.
Tais córregos são afluentes do rio dos Pinheiros, nome apontado pelos jesuítas
desde 1560 quando da instalação do Sítio dos Pinheiros, na ocasião com muitas
araucárias ou pinheiros do Paraná. É aonde temos os bairros de Pinheiros,
Butantã, etc.
Os índios que habitavam as margens do tortuoso rio chamavam-no de Jurubatuba,
pois percorria vagarosamente uma área com muitos Gerivas, (Geribas,Jurubas-Juruvas).
Isso mesmo as tais palmeiras dos coquinhos amarelos ainda encontradas no nosso
bairro.
Na rua Joaquim Floriano, na frente do Banco Bradesco vêem duas dessas palmeiras,
sem contar as que ladeiam a entrada do Creche de Sta Teresa, justamente na rua
Cojuba que em tupi significa, canoa amarela, referência ao local aonde as canoas
indígenas encostavam cheias dos enormes cachos com tais coquinhos.
Cabe aqui a citação: * VETUSTAS SEMPER PRO LEGE HABETUR - A antiguidade é sempre
havida como lei.
E por falar em lei, relembro que a delimitação da área de um bairro é dada ou
vista pelo sentimento e vivência dos seus moradores, e que o distrito já é uma
imposição oficial apontada por lei.
Assim para nós do Itaim Bibi, o bairro esta na área interna e englobada: da
avenida São Gabriel, da avenida Sto Amaro, da avenida Presidente Juscelino
Kubstichek, da margem do rio Pinheiros, da avenida Cidade Jardim e avenida 9 de
Julho até o encontro com a avenida São Gabriel.
Já o distrito de paz de Itaim, por lei criado em 04 de outubro de 1934, decreto
6731, e teve a seguinte limitação: “começando na alameda Jaú, no ângulo da rua
Augusta, seguem pelo eixo desta e pelos das ruas Colômbia, avenida Europa e
avenida Cidade Jardim, vão até a rio Pinheiros, sobem por este até à barra do
córrego da Traição, divisa com a município de Sto Amaro, e por este acima até à
estrada velha para aquele município e seguindo pelo eixo desta estrada e pelo da
avenida Brigadeiro Luiz Antônio, alcançam a alameda Jaú, por cujo eixo continuam
até o ponto em que tiverem começo.”
Ressalva-se que em 1935, o Itaim foi incorporado pelo distrito do Jardim
Paulista, porém oficialmente se comemora como data de aniversário do bairro, o
dia 04 de outubro. Vamos festejar.
Ab Saber & A. Nacib, em “O Sítio Urbano de São Paulo” v.I, pg. 237, mostra um
mapa e o relata num ponto de vista geo-morfológico inespecífico.
Porém ressaltando: “- o que diferencia das outras áreas é a sua história, ou
seja, era um sítio sem utilização econômica, terras baixas inundadas
periodicamente pelo rio e córregos abundantes na região (córrego da Traição,
Uberabinha, do Sapateiro e Verde)”, delimitando a área geográfica da Chácara do
Itaim: “ao sul do espigão Central (av.Paulista) estende-se uma seqüência de
baixos e médios terraços, constituindo uma faixa contínua, entre o Espigão e o
rio Pinheiros. Aí localiza-se o Itaim Bibi”.
# Amigos e colaboradores do GMIB, o próximo encontro dos descontraídos, (após
alguns copos de ceva), itahyenses ocorrerá pontualmente sob o teto do ex-Armazem
do Cabral, comércio instalado no local desde 1927, já no próximo dia 07 de maio,
das 18:30 até 22h.
Não faltem quando além de tudo poderemos trocar idéias ou jogar muita conversa
fora, apoiados no velho e ainda FORTE balcão de mármore e apreciar o conservado
e alto armário de madeira de lei que recobre as paredes de trás do balcão.
Não se esqueçam de experimentar ou recordar o sabor da antiga bala de banana,
exposta no baleiro de vidro em forma de gomos e pedir para que o Hugo Jr.
projete na parede do corredor lateral da entrada de sua casa, os antigos
diapositivos com aspectos de SAMPA e do Rio de Janeiro, recolhidos pelos
carroceiros da região. O projetor é daquele de caixinha e com uma cruzeta para
se colar e substituir os slides.
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